Grupo de Pesquisas em Educação Física Escolar – FEUSP/CNPq

A urgência da formação continuada de professores/as na perspectiva das diferenças ganha centralidade diante das tensões que atravessam a escola contemporânea, marcada por práticas padronizadoras e homogeneizantes sustentadas por uma lógica moderna, colonial e capitalista, em contraste com a presença cada vez mais evidente de grupos culturais diversos e suas especificidades de raça, classe, gênero, sexualidade, religião e deficiência. Nesse cenário, muitos professores/as têm relatado dificuldades para lidar com tais questões (Candau, 2020), especialmente em tempos de conservadorismo e avanço da extrema direita nas disputas políticas e curriculares. Embora prevista na legislação, a formação continuada tem se mostrado insuficiente para responder às demandas da diversidade, seja devido às políticas neoconservadoras, seja às políticas neoliberais que, sob o discurso da diversidade, reconhecem o diferente apenas na medida em que este se adeque ao modelo pedagógico colonial, capitalista e racista vigente (Gallo, 2018). Diante desse contexto, o presente estudo tem por objetivo analisar os efeitos de uma proposta formativa construída colaborativamente com professores/as de Educação Física do município de Duque de Caxias/RJ, fundamentada em metodologias participativas voltadas ao questionamento, afirmação e valorização das diferenças no cotidiano das aulas. Para isso, articulamos a perspectiva cultural da Educação Física (Neira e Nunes, 2006, 2009, 2022) com a interculturalidade crítica e a decolonialidade (Candau, 2016, 2023; Walsh, 2009, 2016), buscando evidenciar aproximações capazes de sustentar práticas pedagógicas comprometidas com democracia, justiça social e equidade. Defendemos que uma Educação Física orientada por esses referenciais abre espaço para o estudo das práticas sociais e corporais dos grupos historicamente subalternizados e reconhece que todos/as/es os/as/es estudantes possuem saberes construídos social e culturalmente, os quais devem ser ampliados, tensionados e ressignificados na direção da produção de identidades abertas às diferenças e aos desafios postos por uma sociedade excludente e desigual.

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